Emoções e peso: um quebra cabeças em plena Pandemia

É inegável o impacto da pandemia na relação com a comida, no sedentarismo e na saúde. É uma situação difícil de gerir mas é possível! Leia o artigo da nossa Psicóloga, a Dra. Rita Almeida.

As emoções na pandemia

As evidências científicas e empíricas têm mostrado de forma muito evidente que
a situação pandémica que vivemos tem um impacto negativo e muito significativo na Saúde Mental de todos. Manifestações como insónias, irritabilidade, humor deprimido, e ansiedade – gerada pelo medo de contágio, preocupação pelos amigos e familiares, pelo impacto na economia, etc.- surgiram em mais de metade dos portugueses.

A Fadiga da Pandemia é um conceito que emergiu na “era covid-19” e que diz
respeito à sobrecarga sentida pelas alterações do nosso quotidiano, que tanto esforço de adaptação requerem, o que nos fragiliza a todos.

O impacto na relação com a comida, no sedentarismo, e na saúde

O confinamento em conjugação com uma maior fragilidade emocional
reativa/natural à pandemia potencia estilos de vida menos saudáveis:

  • há tendência para uma alimentação menos equilibrada (as pessoas tendem a compensar-se através do que é mais acessível – comida);
  • e a propensão para a diminuição da atividade física (mais sedentarismo, menos motivação geral).

Se tal se verifica para pessoas sem perturbações prévias, o mesmo se torna mais evidente para pessoas com perturbações do comportamento alimentar e obesidade. Estudos recentes mostram que a pandemia veio exacerbar os fatores de risco associados ao surgimento e à agudização destes quadros, na medida em que as pessoas estão expostas a maiores níveis de stress, com uma lista de atividades geradoras de prazer mais diminuta.

Ao mesmo tempo que é mais provável assumirmos um estilo de vida menos
saudável, o mesmo é duplamente penoso nestas circunstâncias:

  • torna-nos fisicamente mais vulneráveis, mais expostos à doença no geral, incluindo à Covid-19, sendo o excesso de peso/obesidade um dos fatores de risco para o desenvolvimento de doença grave, sobretudo em faixas etárias mais jovens;
  • potencia a fragilidade psíquica, tornando-nos menos positivos, menos confiantes, com uma autoestima enfraquecida, e com um sentimento de fracasso e desesperança mais exacerbados.

Por outras palavras, quanto menos saudável for o nosso quotidiano, mais ansiosos e frágeis estamos, o que por sua vez alimenta comportamentos prejudiciais à nossa saúde geral.

Quadros de Fome Emocional – nos quais a pessoa procura recompensar-se e
confortar-se através da comida (para de imediato sentir culpa e se sentir incapaz de lidar consigo e com a situação) – instalam-se e saem reforçados. Ter consciência do que vivemos e compreendermos a forma como funcionamos e respondemos internamente, são passos essenciais à tarefa exigente de interrompermos e invertermos este ciclo.

Enfrentar esta situação, passa por aceitarmos que não controlamos a evolução
pandémica (à parte de seguirmos as regras e orientações das entidades de saúde), e em simultâneo canalizarmos as nossas energias para aquilo que podemos controlar – nomeadamente procurar manter um estilo de vida o mais saudável possível. Lembremo-nos que se trata se uma situação provisória. Com um quotidiano mais equilibrado, promovemos o nosso bem-estar psicológico e um corpo mais saudável.

No meio desta situação, o que podemos fazer?

Manter o equilíbrio nestas circunstâncias não é fácil, mas é possível. Há algumas
estratégias que podemos utilizar para mantermos a nossa vida emocional equilibrada e por consequência mantermos o nosso corpo, o nosso peso e a nossa autoestima preservados. A principal passará pelo conceito de Autocuidado, que consiste em ativamente nos envolvermos em atividades que escolhemos fazer e que promovem o nosso bem-estar e saúde (Física e Psicológica). Como?

  • Privilegie e reserve tempo para si. Não é ser egoísta, é antes fulcral para aumentar a eficiência, a energia, e a confiança, enquanto previne e diminuiu os níveis stress e ansiedade;
  • Faça uma lista de tudo o que o faz sentir bem, relaxado e feliz dentro das limitações vividas. Deve ser uma prioridade torná-la uma rotina e não pode ser posta em causa por outras tarefas (trabalho e exigências familiares). Nesta lista não deve constar o consumo de alimentos calóricos e sem valor nutricional, bebidas alcoólicas ou de outras substâncias prejudiciais;
  • Procure o equilíbrio entre vida familiar e profissional – evitando sentimentos de culpa e de fracasso, assumindo as limitações inerentes ao contexto;
  • Reforce as suas relações, fale do que o preocupa. É natural sentir angústia, tristeza, frustração e cansaço;
  • Priorize o Sono – deve ser respeitado o horário de dormir e existir um período de relaxamento prévio ao sono. Por exemplo ler/meditar – evitando os ecrãs (que inibem a produção de melatonina) – para “desligar” de forma tranquila. Não deve usar os momentos antes de adormecer para refletir sobre as suas preocupações – remeta esse momento para outra altura do dia;
  • Pratique exercício físico com regularidade – a atividade física contribuiu para regular o relógio biológico, os ciclos de sono, além de ser promotor de bem-estar e uma arma poderosa para lidar com a ansiedade/stress. Promove ainda a manutenção de um peso equilibrado, reforçando uma imagem positiva de si;
  • Faça escolhas saudáveis. Procure fazer refeições equilibradas, atividade física regular e ter bons hábitos de sono. Um estilo de vida saudável vai melhorar o humor e a saúde e torná-lo mais apto a lidar com as exigências atuais, tornando-o mais resiliente física e emocionalmente.

É perfeitamente normal que se sinta incapaz de o fazer sozinho. Peça ajuda a
profissionais. O Instituto Teresa Branco oferece um acompanhamento integrado e
especializado, através de uma equipa interdisciplinar que abraça todas as dimensões implicadas para que se possa manter ou tornar saudável. Hoje mais do que nunca, cuide de si.