Sabia que o Intestino pode ser o responsável pelo seu excesso de peso?

Actualmente está identificada a importância que o intestino tem na regulação do peso e da saúde. Uma Microbiota saudável é um pressuposto para uma boa gestão do peso.

A Microbiota é composta por milhares de bactérias que habitam no nosso intestino e que atualmente são consideradas um órgão, tal é a sua importância para a saúde de um organismo.

Nos últimos anos várias têm sido as publicações que associam a Microbiota intestinal, anteriormente chamada de flora intestinal, com a obesidade e tendência para ganhar peso através do aumento da massa gorda.

A investigação científica nesta área tem demonstrado que uma alteração da composição da Microbiota pode levar a um aumento da massa gorda corporal por existir uma maior eficácia no armazenamento da energia que os alimentos nos fornecem, inclusivamente da fibra. No fundo, é como se aproveitássemos e armazenássemos toda a energia que um alimento nos fornece na forma de gordura.

Quais as bactérias que habitam no intestino e que estão associadas ao peso?

Existem vários tipos de bactérias sendo que o Filo bacteriano Firmicutes parece elevar a predisposição para aumentar a massa gorda corporal e o Filo Bacteroides estar associado a um efeito protetor relativamente ao aumento da massa gorda corporal.

Os Firmicutes aumentam a energia aproveitada dos alimentos e fornecem ácidos gordos de cadeia curta que modelam o metabolismo hepático (fígado) e do tecido gordo favorecendo o aumento da massa gorda. Sabe-se que na obesidade existe uma preponderância relativa do Filo Firmicutes em comparação com os Bacteroides, tendo sido demonstrado num trabalho científico (Gut Microbiota from Twins Discordant for Obesity Modulate Metabolism in Mice Science, 2013) que com a mesma dieta e ingestão calórica, os animais transplantados com Microbiota de obeso ganham mais peso do que os ratinhos com flora intestinal de magros. Neste trabalho foi ainda observado que uma dieta rica em gordura pouco saudável e açúcares, potencia uma Microbiota semelhante à de uma pessoa obesa, com maior importância relativa de Firmicutes e menor de Bacteroides.

A Microbiota intestinal modula a concentração de alguns neurotransmissores como a serotonina e o GABA – através de uma bactéria denominada de Akkermansia – que influenciam o controlo da fome e da saciedade levando ao controlo do peso. Assim, uma diminuição da Akkermansia parece diminuir a concentração de serotonina e GABA levando à diminuição da saciedade e ao aumento da fome, potenciando o aumento da ingestão de alimentos e consequentemente o aumento do peso. A investigação científica nestas duas últimas décadas tem então evidenciado a importância do papel da Microbiota no controlo do peso confirmando que uma intervenção adequada na gestão do peso passa por delinear estratégias que promovam um intestino saudável.

O desequilibro da Microbiota Intestinal

A Disbiose intestinal que se caracteriza por uma inflamação neste órgão, consiste num desequilíbrio entre o número de bactérias pouco saudáveis, patogénicas, e o número de bactérias saudáveis, levando a um conjunto de sintomas tais como:

  • Fadiga Crónica⁠
  • Alterações digestivas⁠
  • Obstipação⁠
  • Distensão abdominal ⁠- barriga inchada
  • Flatulência⁠
  • Patologias inflamatórias e/ou doenças do sistema imunológico⁠

Existem alguns fatores que potenciam o desequilíbrio da Microbiota intestinal tais como:

  • Glúten
  • Leite
  • Antibióticos
  • Antiácidos – dificultam a digestão das proteínas
  • Stress
  • Toxinas/Xenobióticos
  • Manipulação genética
  • Açúcar
  • Alimentos processados
  • Adoçantes
  • Aditivos alimentares
  • Refrigerantes
  • Alimentos FODMAP (ex: cebola, alho, alguns tipos de fibra, entre outos.)
Como avaliamos as alterações do Microbioma?

Como sempre em saúde, o primeiro passo passa por realizar um bom Diagnóstico.⁠
A avaliação do ADN da sua Microbiota (através das fezes) permite-nos entender a saúde do seu intestino e a razão pela qual tem diversos sintomas que lhe retiram qualidade de vida.⁠ No nosso Instituto disponibilizamos um Kit para fazer a Avaliação do Microbioma, que pode ser enviado directamente para sua casa e que será posteriormente levantado e analisado em laboratório.⁠ Depois do Diagnóstico ser-lhe-à prescrita uma terapêutica personalizada que passará por um Plano Alimentar especifico e um Plano de Suplementação personalizado.⁠

Factores que contribuem para o equilíbrio da Microbiota

Se por um lado são conhecidos alguns dos fatores que contribuem para o seu desequilibro, por outro lado alguns estudos mostram-nos o que pode ajudar a equilibrar a Microbiota. São exemplos:

  • Prebióticos – são nutrientes não digeridos, essencialmente fibras, tais como a inulina, a oligofrutose, os frutoligossacários e a polidextrose, naturalmente presentes nos alimentos. Como não são digeridos nem absorvidos no intestino delgado vão constituir o seu substrato alimentar e assim estimular o seu crescimento e/ou actividade da Microbiota;
  • Probióticos – encontram-se em vários tipos de alimentos fermentados tais como o Kefir em leite ou água, miso, tempeh, kombucha, chucrute, pikles;
  • Polifenóis – são substâncias naturais, essencialmente provenientes de frutas e bebidas derivadas de plantas, tais como, chá de cacau, chá verde, frutos vermelhos, citrinos, açaí;
  • Caldo de ossos – rico em fósforo, magnésio, cálcio, colagénio;
  • Vinagre de maçã  – aumenta a acidez do estômago;
  • Puré de maça;
  • Manteiga Ghee  – sem lactose e sem caseína;
  • Óleo de coco – ricos em Vit E e Ac. Laúrico, é considerado um antifúngico;
  • Aléo vera;
  • Gengibre – tem uma ação anti-inflamatória;
  • Óleo de abóbora – aumenta a produção de ácido do estômago;
  • Banana verde    
Probióticos e Suplementos Alimentares são uma solução?

Os Probióticos são microrganismos vivos que em quantidades adequadas conferem benefícios à saúde. O seu consumo contribui para a modulação da Microbiota intestinal, através do desenvolvimento das bactérias benéficas que actuam impedindo a proliferação das bactérias patogénicas (prejudiciais). Os probióticos mais utilizados para o equilíbrio da Microbiota e que parecem promover uma melhor gestão do peso são:

  • Lactobacilos gasseri;
  • Lactobacilos helveticus;
  • Lactobacilos rhamnosus;
  • Bifidobacterium animalis

Além dos probióticos, alguns ácidos gordos também têm um papel fundamental. É o caso, por exemplo, do ácido Butirato na medida em que diminui a inflamação e estimula as hormonas da saciedade levando ao controlo da fome e consequentemente ao controlo do peso. A manteiga Ghee é o exemplo de um dos alimentos que contém este tipo de ácido gordo e que deve fazer parte da alimentação para promover a saúde do intestino.

Na área dos Suplementos é importante ter consciência que a decisão da suplementação deverá caber a um especialista da área da saúde que terá que avaliar as necessidades especificas de cada pessoa para não criar sobredosagens. Contudo deixamos-lhe aqui, a título de exemplo, algumas substâncias que mais contribuem para o equilíbrio:

  • Ômega 3
  • Zinco
  • Vit. Complexo B
  • Magnésio
  • Curcuma
  • Propolis
  • Enzimas digestivas
  • Berberina
  • Q10
  • Vit D
  • Quercitina
  • L- Glutamina