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Directrice clinique chez TO BE.

Teresa Branco
Directrice de TO BE.

No passado dia 3 de junho de 2026, a TO BE. foi convidada a apresentar numa empresa um workshop sobre um tema que está no centro da nossa prática clínica: a inflamação crónica, o seu impacto na gestão do peso e as estratégias concretas para a reverter. Foi um momento de partilha direta com pessoas que, no quotidiano, enfrentam os mesmos desafios que vemos na consulta.

Neste artigo, reunimos os pontos essenciais dessa apresentação.

Como avaliamos a inflamação na TO BE.

A primeira questão que colocamos foi: como é que sabemos se estamos inflamados? Na TO BE., a resposta passa por um olhar múltiplo. Utilizamos o nosso Índice de Inflamação TO BE., que combina:

  • Análises clínicas laboratoriais;
  • Pesquisa de Intolerâncias alimentares;
  • Sintomas clínicos — cansaço persistente, dores de cabeça, entre outros;
  • Avaliação da composição corporal.

Esta abordagem permite-nos ir além dos exames de rotina e identificar padrões inflamatórios subtis que frequentemente passam despercebidos.

O que é a inflamação crónica e o que nos inflama?

A inflamação crónica de baixo grau é um estado silencioso de ativação imunitária que, ao contrário da inflamação aguda, não se resolve por si só. Persiste no tempo e está na origem de uma vasta gama de doenças metabólicas, cardiovasculares e autoimunes.

Os principais fatores que alimentam este estado inflamatório são:

  • Alimentação — alimentos processados, açúcar, glúten em pessoas sensíveis, lácteos;
  • Ambiente — exposição a disruptores endócrinos no ambiente;
  • Desequilíbrios hormonais;
  • Stress;
  • Sedentarismo;
  • Saúde gastrointestinal.

Entre outros fatores.

Inflamação e gestão do peso: um ciclo que se alimenta a si próprio

Um dos pontos mais impactantes da apresentação foi a relação bidirecional entre inflamação e excesso de peso. A questão não é linear, é circular.

A massa gorda, e em particular a massa gorda visceral, produz substâncias inflamatórias, as adipocinas, que mantêm o organismo num estado de alerta imunológico contínuo. Por outro lado, a própria inflamação crónica perturba os mecanismos hormonais e metabólicos que regulam o apetite e a distribuição de gordura, dificultando a perda de peso.

Ou seja: a inflamação engorda e o excesso de gordura inflama. Para sair deste ciclo, é necessário intervir em ambas as frentes em simultâneo.

Nutrição anti-inflamatória: o que comer (e o que evitar)

Na TO BE., defendemos uma nutrição de precisão — adaptada ao perfil individual de cada pessoa. Não existe um protocolo único. No entanto, existem princípios transversais que partilhámos com o grupo:

O que reduzir ou eliminar

  • Alimentos Processados;
  • Açúcar refinado em todas as suas formas;
  • Alimentos com Glúten – especialmente em pessoas com sensibilidade identificada;
  • Lácteos – consoante tolerância individual.

O que privilegiar

  • Legumes e fruta variados – fontes de antioxidantes e fibra;
  • Proteína de qualidade;
  • Gorduras saudáveis – azeite, abacate, peixe gordo, frutos secos.

Sobre a proteína, sublinhamos a sua importância estratégica. Numa pessoa de 80 kg, o objetivo deverá estar entre 130 a 170 g de proteína por dia — uma quantidade que a maioria das pessoas está longe de atingir. Preservar a massa muscular é fundamental não só para o metabolismo, mas também como fator anti-inflamatório independente.

Outros protocolos que abordámos, como o jejum intermitente, a dieta cetogénica ou a dieta FODMAP, podem ser ferramentas válidas em determinados contextos, desde que indicados e supervisionados.

Exercício: o anti-inflamatório mais subestimado

O exercício físico regular é um dos agentes anti-inflamatórios mais potentes que conhecemos, e dos menos utilizados. Na TO BE., recomendamos uma abordagem estruturada que combina dois tipos de treino:

  • Treino de Musculação — 4× semana, 30 min
  • Treino de Cardio — 7× semana, 30 min

O músculo esquelético, quando trabalhado, liberta miocinas com efeitos anti-inflamatórios sistémicos. Por isso, ganhar músculo não é apenas uma questão estética – é uma estratégia de saúde metabólica.

Suplementação e reposição hormonal: quando e porquê

A suplementação e a reposição hormonal foram dois dos temas que mais despertaram curiosidade no grupo. Apresentámos a nossa abordagem:

Suplementação prescrita à medida

Não existe uma fórmula universal. Na TO BE., a suplementação é definida com base em análises clínicas individuais. Os suplementos mais frequentemente indicados no contexto da anti-inflamação incluem vitamina D, vitaminas do complexo B, magnésio, vitamina C, ácido fólico, ferro (quando indicado), creatina e proteína. A prescrição é sempre personalizada e ajustada ao contexto de cada pessoa.

Reposição hormonal

Os desequilíbrios hormonais são frequentemente uma causa silenciosa de inflamação crónica e de dificuldade em gerir o peso. Quando clinicamente indicado, trabalhamos a reposição de testosterona, DHEA, progesterona, estrogénio e hormonas da tiroide (T3 e T4), sempre com base em avaliação médica rigorosa.

Sobre a TO BE.

A TO BE. é uma clínica médica onde o rigor científico se funde com um modelo de cuidados integrados. Através de uma equipa multidisciplinar, que une a Endocrinologia, a Medicina Interna, a Nutrição Clínica, a Fisiologia do Exercício e a Medicina da Longevidade Saudável, respondemos de forma personalizada às necessidades que mais impactam a saúde e a longevidade — com especial atenção à saúde da mulher.

No eixo da inflamação e da gestão do peso, o nosso compromisso é claro: que cada pessoa compreenda o que está a acontecer no seu corpo, conheça as opções disponíveis e tome decisões informadas — sem medo, sem pressão e com acompanhamento próximo ao longo do tempo.

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