O fim do tratamento oncológico é, muitas vezes, um momento difícil de traduzir em palavras. Ao alívio de ter passado pela parte mais dura junta-se um conjunto de efeitos que o corpo continua a processar em silêncio. Secura vaginal, atrofia vaginal, infecções urinárias, alterações de peso, cansaço persistente, perda de desejo, estes são alguns dos desafios mais frequentes na vida das mulheres após o cancro, e ao mesmo tempo os menos abordados nas consultas de seguimento.
Um estudo apresentado no San Antonio Breast Cancer Symposium (2026) revelou que a maioria das doentes com cancro da mama nunca chegou a ser questionada pelos seus médicos sobre a sua vida sexual, mesmo quando experienciavam sintomas significativos. Na TO BE., trabalhamos para que se sinta sempre compreendida.
O que o tratamento faz ao equilíbrio hormonal
Os tratamentos oncológicos, cirurgia, quimioterapia, radioterapia e hormonoterapia, são rigorosos e necessários, mas atuam em tecidos e funções hormonais que sustentam o equilíbrio do organismo feminino, com consequências que se prolongam muito depois do último tratamento.
Um dos efeitos mais comuns é a menopausa induzida pelos tratamentos do cancro: uma descida rápida de estrogénio que acontece de forma muito mais brusca do que na menopausa natural. O resultado é um conjunto de sintomas mais intensos, e sendo frequente a secura vaginal.
Secura Vaginal: um sintoma tratável que não deve ser ignorado
A mucosa vaginal depende do estrogénio para se manter hidratada, elástica e com pH equilibrado. Quando os níveis hormonais caem de forma brusca, ocorre aquilo que clinicamente se chama atrofia genito-urinária: a mucosa fica mais fina, mais seca e mais sensível. Nos casos em que a hormonoterapia está em curso, como o uso de tamoxifeno ou inibidores da aromatase, este efeito pode prolongar-se por anos.

Segundo dados da Liga Portuguesa Contra o Cancro, as dificuldades sexuais afetam entre 40% e 85% das mulheres tratadas para cancro. Apesar de ser um tema comum, o mesmo continua a ser evitado nas consultas. E é exatamente isto que queremos mudar.
Sintomas mais comuns
- Sensação de ardor ou comichão vaginal;
- Dor durante as relações sexuais (dispareunia);
- Maior suscetibilidade a infeções urinárias e vaginais;
- Urgência ou incontinência urinária.
Estes sintomas são reais, frequentes e respondem bem ao tratamento quando abordados a tempo.
Abordagens clínicas disponíveis
O acompanhamento especializado permite identificar a opção mais adequada ao perfil de cada doente. Na TO BE., esta avaliação é feita por uma equipa multidisciplinar:
- Hidratantes e lubrificantes locais são a primeira linha para todas as mulheres, independentemente do tipo de cancro tratado. Hidratantes vaginais sem hormonas (à base de ácido hialurónico) e lubrificantes de base aquosa são seguros, eficazes e de uso regular.
- Estrogénio tópico de baixa dosagem, em creme ou óvulo vaginal, pode ser uma boa opção para algumas doentes, com absorção mínima pelo organismo. A decisão é sempre tomada em conjunto com a equipa oncológica.
Na TO BE. , temos disponíveis soluções de cremes ou medicação manipulada feita para as necessidades de cada mulher.
Peso e composição corporal após o cancro
As alterações de peso são outro efeito muito comum após o tratamento oncológico, mas frequentemente mal compreendido. O aumento de peso após cancro da mama, por exemplo, tem várias causas: a menopausa induzida, a acumulação de gordura na zona abdominal, o uso de corticoides e as alterações no metabolismo provocadas pela descida dos estrogénios.
Para além do impacto na autoestima, que não deve ser ignorado, o excesso de peso após cancro da mama está associado a maior risco de recidiva a doença voltar. O controlo do peso tem, por isso, implicações clínicas reais.
Tão importante quanto o peso é a composição corporal. A perda de massa e força muscular é frequente após tratamentos prolongados e manifesta-se como cansaço persistente e dificuldade em retomar o ritmo habitual. É importante fazer uma avaliação da composição corporal.
Intimidade, desejo e imagem corporal
A sexualidade é uma dimensão fundamental da saúde humana, reconhecida pela Organização Mundial de Saúde como um direito básico. No contexto oncológico, é também uma das mais silenciadas.
A perda de desejo sexual, a dificuldade em sentir prazer, o medo da dor, a mudança na imagem corporal, estes fatores afetam a relação de cada mulher consigo própria e com os outros. Cirurgias como a mastectomia ou a histerectomia, a queda de cabelo, as cicatrizes e as mudanças de peso tocam na identidade feminina de forma profunda. Este processo de adaptação merece tempo e acompanhamento especializado, e deve ser parte do plano terapêutico, não um extra opcional.
Quando procurar ajuda
A TO BE. é uma clínica médica com uma equipa multidisciplinar, que apoia várias mulheres neste período, após o cancro da mama, e ajuda-as a superar os desafios da recuperação oncológica e os sintomas associados à entrada na menopausa.
Procure acompanhamento especializado se:
- A secura ou dor vaginal interferem com a qualidade de vida ou com a vida sexual;
- O peso se alterou de forma significativa após o tratamento;
- A fadiga ou a perda de força muscular limitam o dia a dia;
- A imagem corporal ou a autoestima estão comprometidas;
- A vida afetiva e sexual foi afetada e ainda não foi abordada clinicamente.
A maioria destas situações tem solução. O primeiro passo é falar com quem sabe responder.
Na TO BE., cada mulher é acompanhada como um todo
A TO BE. é uma clínica médica. O nosso modelo de cuidados integra endocrinologia, medicina de longevidade saudável, medicina interna, medicina estética, fisioterapia, fisiologia do exercício, psicologia e nutrição clínica, uma equipa multidisciplinar focada em responder com rigor científico às questões que mais afetam a saúde e a qualidade de vida da mulher após o cancro.
Porque recuperar da doença é o começo. Viver plenamente é o objetivo.
Fontes: Liga Portuguesa Contra o Cancro | San Antonio Breast Cancer Symposium (2026) | Organização Mundial de Saúde


