O impacto dos alimentos inflamatórios na Gestão do Peso

Uma alimentação composta por alimentos inflamatórios está por detrás da origem de muitas doenças. Por isso, é importante saber quais são estes alimentos, como é que o nosso organismo os processa e quais os efeitos adversos.

A inflamação pode ser definida como o conjunto de alterações bioquímicas, fisiológicas e imunológicas como resposta a estímulos “agressivos” para o organismo. O processo inflamatório agudo é benéfico e faz com que nos possamos manter vivos. Por exemplo, quando sofremos um traumatismo ou contacto com um agente patogénico o processo inflamatório que se desenvolve fará a nossa recuperação e cicatrização. Por outros lado, um processo inflamatório crónico prejudica o organismo. Parte dos processos inflamatórios que acontecem no nosso organismo podem ser desencadeados por alimentos com potencial inflamatório como é o caso da comida processada, fritos, refinados, entre outros. Uma alimentação composta por alimentos inflamatórios está por detrás da origem de muitas doenças. Por isso, é importante saber quais são estes alimentos, como é que o nosso organismo os processa, quais os efeitos adversos na saúde e na Gestão do Peso.

Ouvimos constantemente falar sobre inflamações no organismo mas o o que é que as provoca?

Um organismo em constante inflamação desenvolve outros problemas e doenças que a longo prazo tendem a evoluir e a tornar-se preocupantes. No nosso dia-a-dia ingerimos vários alimentos sem conhecimento do impacto que têm no nosso organismo e paralelamente a isso tendemos a ter rotinas que têm um forte impacto na nossa saúde.

Partilhamos alguns dos fatores que geralmente contribuem para que pratique uma alimentação inflamatória:

  • Stress no trabalho;
  • Agitação do dia-a-dia;
  • Falta de tempo para cozinhar;
  • Falta de conhecimento sobre os alimentos que ingerimos;
  • Sedentarismo
Quais os alimentos que são inflamatórios?
Alimentos Processados

Os alimentos processados são aqueles que já sofreram alterações desde a sua forma natural, como são exemplos o pão, iogurtes, queijos, massa, entre outos. O pão que ingerimos atualmente, contem trigo geneticamente modificado, com maior quantidade de glúten, causando reações que podem acometer o trato digestivo, respiratório e a pele, por exemplo. Pode ainda ser responsável por uma série de sintomas como má digestão, azia, rinite, sinusite, enxaquecas, entre outros. Por sua vez, os lácteos podem provocar os mesmos sintomas indesejáveis e doenças crónicas. A proteína presente no leite tem alto poder inflamatório mas retirar a lactose do leite também não é uma opção quando o problema está relacionado com a inflamação.

Convém ressalvar que não é só a composição do alimento em si que pode não ser benéfica para a saúde mas também o facto deste sofrer um processo de refinamento. Quando retiramos a fibra do alimento (que ocorre com o processo de refinamento), a glicose presente nele será absorvida em grande escala, com consequências na regulação da insulina e consequente reflexo no peso. Por outro lado, a maior parte dos alimentos industrializados que consumimos contêm substâncias para manter maior durabilidade, sabor ou coloração – os chamados alimentos ultra -processados. Estes alimentos contêm gorduras trans, identificadas nos rótulos como “gordura vegetal hidrogenada” ou “parcialmente hidrogenada”, adoçantes, corantes e outras substâncias deletérias e cancerígenas que aumentam o estado inflamatório silencioso do nosso corpo e devem por isso ser evitadas ao máximo.

Por mais estranho que nos possa parecer, a sandes com queijo e um galão, ou a torrada com manteiga e o sumo de laranja são combinações altamente inflamatórias. Por isso quando for preparar o seu pequeno almoço opte antes por alimentos na sua forma natural como ovos, fruta e vegetais, sementes oleaginosas e outras gorduras saudáveis.

Açúcar

O consumo de açúcar em excesso, em especial o que se encontra nas bebidas açucaradas, é bastante perigoso pois uma vez na corrente sanguínea, acaba por provocar um processo inflamatório dentro das células, relacionado também à resistência à insulina, acumulação de gordura visceral e aumento do risco de doenças cardiovasculares. A ingestão de açúcar pode também provocar inflamação local no intestino.

Outros Alimentos

Outra substância altamente perigosa no que toca a inflamações é a Acrilamida. Esta substância forma-se naturalmente durante a preparação dos alimentos quando a temperatura ultrapassa os 100ºC, como ocorre no ato de fritar, tostar, grelhar ou assar. Prefira alimentos cozidos ao vapor. Uma opção no caso dos grelhados, é marinar sempre os alimentos antes de os grelhar. Isto reduz bastante a produção desta substância.

Quais as doenças associadas à ingestão dos alimentos inflamatórios?

O corpo possui mecanismos capazes de lidar com a inflamação e se restaurar, quando expostos a pequenas quantidades e de forma esporádica. No entanto, a longo prazo, a exposição constante à inflamação causada pelos alimentos pode estar associada ao surgimento de doenças crônicas como a diabetes, obesidade, cancro, doenças cardíacas, doenças intestinais (síndrome do cólon irritável, retocolite, diarreias…), doenças reumáticas, entre outras.

Em suma, é importante ingerir “comida de verdade”, alimentos frescos, orgânicos e ricos em nutrientes. Somos aquilo que comemos, e a nossa saúde é o reflexo das nossas decisões quer ao nível da alimentação quer ao nível da prática de exercício físico.

Mantenha uma atenção redobrada nos alimentos que ingere e esforce-se para manter sempre alimentos frescos na sua dieta diária.