Jejum Intermitente: cada estratégia deve ser individualizada e personalizada

Nos últimos anos, o jejum intermitente tem-se tornado numa das dietas mais populares entre as pessoas que pretendem perder peso de uma forma rápida. Além disso, pode ajudar a melhorar a imunidade, favorecer a desintoxicação do organismo e melhorar a disposição e a agilidade mental.

Regular os níveis de colesterol e triglicéridos, aumentar o metabolismo, prevenir a hipertensão, a diabetes e a flacidez, desintoxicar o organismo, diminuir o risco de doenças cardíacas e prevenir o envelhecimento precoce, são alguns dos múltiplos benefícios que lhe são atribuídos. Longos períodos sem qualquer tipo de alimentação estão também relacionados com o combate à inflamação crónica.

A inflamação é a forma natural que o corpo utiliza para combater infeções, doenças e lesões. No entanto, quando esta se torna crónica, pode desencadear silenciosamente doenças cardíacas, diabetes, cancro, esclerose múltipla e doenças inflamatórias intestinais.

Estudos demonstraram que o jejum intermitente (considera-se jejum a um período de tempo alargado, de 12 ou mais horas, que se passa sem comer e que é intervalado pela ingestão de alimentos) pode ser um importante aliado no combate à inflamação crónica, promovendo a saúde e o bem-estar físico, uma vez que induz a um efeito anti-inflamatório, reduzindo o risco de doenças metabólicas. Quando se pratica o jejum, há renovação das células, como se se autorregenerassem e eliminassem as substâncias tóxicas, potenciando uma melhor e maior esperança média de vida.

Além disso, a prática de jejum promove a diminuição da resistência à insulina, ou seja, as pessoas que praticam jejum podem ter uma reversão da resistência à insulina e, consequentemente, reverter o estado de pré-diabetes.

Em concordância, pessoas que adotam o jejum tendem a revelar um nível de PCR, fibrinogénio e adiponectina mais adequados. Também o aumento da hormona do crescimento pode estar associado ao jejum intermitente.

A interrupção do jejum deve ser feita com ingredientes ricos em proteína e gordura saudável, uma vez que nessa altura o organismo absorve de uma forma mais rápida, promovendo assim uma maior saciedade. Como tal, devem ser ingeridos alimentos nutritivos, pouco calóricos e ricos em antioxidantes. Como os alimentos têm propriedades curativas, a sua abordagem terapêutica deve estar associada ao jejum, devendo-se ter sempre presente que existem dois tipos de jejum: o fisiológico e o metabólico. No primeiro não se pode comer absolutamente nada, apenas ingerir líquidos não calóricos, tais como a água, os chás (infusões) e o café; no segundo, podem ser ingeridos alimentos que não estimulem a libertação de insulina no organismo, sendo uma boa aposta o consumo de gorduras saudáveis e líquidos não calóricos.

Paralelamente ao jejum, é ainda possível adotar outras dietas alimentares, como a dieta cetogénica ou a dieta fodmap. Na dieta cetogénica é feita uma eliminação de praticamente todos os alimentos ricos em carboidratos e um aumento do consumo de alimentos ricos em gorduras saudáveis. Além disso, também é importante manter uma boa quantidade de proteínas na alimentação. Esta é uma boa aposta para quem pretende perder peso.

Por outro lado, a dieta fodmap consiste na remoção de alimentos que contêm alto teor de frutose, lactose, fruto-oligossacarídeos e galato-oligossacarídeos. Normalmente, este protocolo é utilizado para controlar e evitar os sintomas da síndrome do intestino irritável.

Há várias maneiras de realizar o jejum intermitente e cada estratégia deve ser individualizada e personalizada, uma vez que nem todas as pessoas reagem bem à prática de jejum, dependendo sempre do organismo. Como tal, é importante lembrar que, para dar início a esse tipo de estratégia e hábito de vida, é altamente recomendável uma avaliação médica e nutricional do sujeito.